quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Caindo de maduro

Caindo de maduro 
Astor Wartchow
Advogado
 A degradação sóciopolítico-institucional é muito mais profunda do que aparenta ser. E não serão eleiçoes diretas já - ou em 2018, como de fato serão - que consertarão os estragos.
 O abismo e déficit das contas públicas, em que estamos mergulhados até o pescoço,  é gigantesco  e de graves efeitos e danos colaterais, entre os quais a recessão e o consequente desemprego.
 Mas sempre há algo pior: os principais responsáveis pelo caos continuam "pregando a mesma missa", sem que lhes ocorra a hipótese de, ao mínimo, pedir desculpas ao povo pelos erros cometidos.
 Dizem tais dirigentes (autodenominados de esquerda) que reconhecer os erros praticados reforçaria o discurso dos ditos partidos e candidatos de direita.
 Resulta que nosso momento político-partidário-ideológico - e o próprio futuro imediato - é temerário. Ops, um trocadilho. Alguns diagnósticos aqui e acolá, mas raros são os prognósticos otimistas.
 Entre erros e acertos da gestão petista, malabarismo retórico de Lula e o claudicante tatibitati de Dilma -  emoldurado com seu  impeachment, restou desmoralizado o que denominamos de "campo da esquerda".
 Mas e do outro lado (ou no meio) como está a situação? Se é que podemos chamar de outro lado haja vista o consórcio de negócios escusos e corrupção em massa.
 No tabuleiro eleitoral o que significam o PP, o PMDB e o PSDB, por exemplo, tão presentes e identificados com as maracutaias quanto o PT?
 Tudo indica que o PSDB - que sempre se pretendeu um partido socialdemocrata e de centro - foi arrastado inapelavelmente para a direita, agora na companhia do DEM e do PP(ex-Arena, ex-tudo).
 Já o PTB e o PMDB vivem e praticam a política em outra dimensão, fora dos conceitos tradicionais da ciência política.
 Digamos, mais propensos a negócios de ocasião. Quase damas de companhia, à média luz.  Com todo o respeito às damas de companhia.
 Tirante os indecifráveis PDT e PSB e os incendiários PSTU e PSOL,  se os antes mencionados representam ou representariam o que denominamos de esquerda e direita, o que restará ou restaria ao centro?
 Possivelmente, os novos partidos que se anunciam por aí, que desde já se auto-afirmam éticos, embora muito receptivos a arrependidos pecadores de outrora.  Compreensível, sobretudo parafraseando o popular Jesus Cristo que dizia: condena o pecado e perdoa o pecador! 
 O caos se avizinha. Ainda que diretas e periódicas, eleições não são remédio contra males históricos e intestinais, crises éticas e desvios de condutas generalizadas. No máximo um paliativo.

 E nem falamos das possíveis candidaturas de Lula e dos seus mais notórios efeitos colaterais,  Jair Bolsonaro e João Dória. Haja estomasil. A Venezuela ainda será aqui. Caindo de maduro. Ops, desculpa, outro trocadilho. 

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