segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Calote do governo Dilma pode quebrar bancos em 2018

Site O Financista, por Marcio Juliboni
29/02/2016

Luiz Cezar Fernandes fala baixo e pausadamente, embora sem timidez. Também gesticula com moderação e ri praticamente sem fazer barulho. Por isso, quem o visse atendendo a reportagem de O Financista, dificilmente imaginaria que, com aquela calma toda, o fundador do antigo Pactual e sócio de Jorge Paulo Lemann no lendário Garantia estava descrevendo um futuro horripilante para o Brasil. Até 2018, a dívida pública crescerá a uma velocidade tal que nem mesmo a inflação alta será capaz de corroê-la.

Só restará, então, uma saída para o Palácio do Planalto: decretar o calote oficial da dívida interna – e não apenas fazer cara de paisagem para o que os economistas chamam de “default branco”, aquele em que a dívida nominal é paga, mas já não vale nada, porque foi carcomida pela inflação.

O Financista: Em quanto tempo, o senhor acredita que a dívida pública vai estourar?
- Fernandes: Se você capitaliza a 16% ao ano, em cinco anos, dobrou a dívida. Certamente, nós chegaremos lá por volta de 2018. Antes disso, não. Mas, ali, em 2018, antes ou depois da eleição, estaremos nesse ponto.

Assassinato de Reputações, O caso Tarso Genro - A fábrica de dossiês do Governo do PT

          Tuma Júnior denunciou em seu livro "Assassinato de Reputações",  escrito com o jornalista Cláudio Tognolli (Editora Topbooks, 560 páginas) que sob o comando do ministro Tarso Genro, o Ministério da Justiça foi uma fábrica de dossiês e de atiradores de elite, contratados para assassinar reputações, sobretudo no RS.
          O Rio Grande do Sul, terra de Tarso Genro, onde pretendia e conseguiu eleger-se Governador, foi seu maior campo de experimentações.
          A mídia gaúcha produziu centenas e centenas de notas e reportagens, mas os episódios mais virulentos da sangria política envolveram de modo muito expressivo o Governo Yeda Crusius. Tudo está registrado no livro, "Cabo de Guerra", que denunciou com fatos e circunstâncias de que modo o então Ministro da Justiça, Tarso Genro, depois Governador do RS entre 2001 e 2014, usou seus Delegados da Polícia Federal para subjugar o Governo Yeda Crusius e também quebrar as pernas dos adversários dos outros Partidos, promovendo a mais devastadora campanha de assassinatos de reputação jamais vista no Estado.
         Tudo para aparelhar o Governo do PT com sua própria Polícia Política, intimidar e desmoralizar adversários, atemorizar os próprios companheiros e garantir a realização dos seus projetos pessoais de grandeza, entre os quais as conquistas do Governo do RS e da Presidência. 
         Ele só não conseguiu a Presidência.
        A Polícia Federal no RS, operada pelo Delegado Ildo Gasparetto, homem de confiança do então Ministro, mirou diretamente todas as suas armas sobre Yeda Crusius (PSDB), José Otávio Germano (PP), estes por conta da Operação Rodin e Eliseu Padilha (PMDB).
      Em seu livro "Assassinato de reputações”, o delegado Tuma Júnior confirma tudo o que o livro “Cabo de Guerra” conta e denuncia, ou seja, que sob o comando de Tarso Genro, o Governo Federal patrocinava a produção de dossiês contra adversários políticos. Ele usou e abusou da Polícia Federal, usando até mesmo Partidos alinhados ou laranjas.
       Está tudo no livro.
       Tuma Júnior avisou que tem provas do que publica. Ele é um policial experimentado. E também é filho do ex-Senador Romeu Tuma, chefe da Polícia Federal de São Paulo durante a ditadura militar, qualidade que o tornou carcereiro de Lula.
        Em relação a Lula, Tuma Júnior faz uma acusação mais grave. Afirma que ele foi "informante da ditadura":
        - Eu e o Lula vivemos juntos esse momento. Ninguém me contou. Eu vi o Lula dormir na sala do meu pai. Presenciei tudo.
         Tuma Júnior não só foi secretário de Tarso Genro no Ministério, como foi nomeado por ele Presidente da Comissão Nacional de Pirataria.      
          No dia 6 de setembro de 2010, quando Tarso era candidato ao Governo do RS, ele foi escalado para ajudar seu antigo chefe na campanha, programado para participar do evento sobre o Plano de Governo do PT no Estado, a Quinta Plenária.
          O Delegado revelou no seu livro que um dos alvos das campanhas de desmoralização (espionagem e formação de dossiês falsos) foi Marconi Perillo, governador de Goiás.
            - Só porque ele avisou o Lula da existência do mensalão.
             Outro alvo foi o Senador cearense Tasso Jereissati, também adversário do ex-Presidente. Tuma Júnior afirma que o pedido de ataque ao líder tucano partiu do hoje ministro Aloizio Mercadante.
         José Dirceu, apesar de aliado do mesmo Partido, foi alvo de chumbo grosso.
          Mais tarde, Tuma Júnior acabou caindo em desgraça, mas ele afirma que caiu do Governo não em razão dos supostos vínculos com a máfia chinesa, conforme vazamentos seletivos feitos pela Polícia Federal, mas por ter descoberto a "conta do mensalão" no exterior. Ela foi criada nas Ilhas Cayman e era operada pelo ex-Ministro da Casa Civil, depois preso na Papuda e em Curitiba, investigado, indiciado e julgado nos processos do Mensalão e do Petrolão.
           Eis a denúncia enviada para o Ministro da Justiça:
            - Mandei cópia para o ministro Tarso Genro apurar isso, e espero resposta até hoje... Será que fui defenestrado por ter chegado à conta caribenha do mensalão?
          Tuma Júnior afirma, ainda, noutro pacote de acusações,  que Celso Daniel foi alvo de um assassinato político e que recursos desviados na prefeitura de Santo André alimentavam campanhas do PT. Diz que isso foi dito a ele pelo Ministro Gilberto Carvalho.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Páscoa poderá resultar em contratação de 55 mil temporários, 5 mil dos quais no RS

            A Páscoa promete ser mais doce para quem está em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho. No total, em todo o País, a expectativa é para a contratação de 55 mil temporários pela indústria e pelo comércio, retração de 34,83% na comparação com o ano anterior (84,4 mil). De acordo com pesquisa encomendada pela Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado (Fenaserhtt) e pelo Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de Mão de Obra e de Trabalho Temporário do Estado de São Paulo (Sindeprestem) ao Centro Nacional de Modernização (Cenam), 19 mil vagas temporárias ainda estão abertas e devem ser preenchidas até o início de março.

         Os primeiros contratos temporários normalmente são firmados pela indústria, que começa a fabricar produtos para a Páscoa entre setembro e outubro. Estima-se que 85% das vagas já tenham sido preenchidas e cinco mil estejam abertas.
            No comércio a contratação de temporários é mais tardia. Com produtos de Páscoa chegando agora aos supermercados e redes varejistas, a seleção de pessoal se estende até o início de março. A previsão é para que 30 mil temporários consigam ter a carteira de trabalho assinada, sendo que 16 mil já foram contratados. Há 14 mil vagas abertas no país neste setor.
     O Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de chocolate do mundo, com 710 mil toneladas em 2015. Para Vander Morales, presidente da Fenaserhtt e do Sindeprestem, o cenário econômico dos últimos tempos influencia diretamente a retração do setor de trabalho temporário, mas o apelo sentimental da data é mais forte: “A tradição da Páscoa é presentear com chocolates. O consumidor pode gastar menos com produtos, mas não deixará de comprar”. O trabalho temporário, além de necessário para atender ao aumento da movimentação comercial nesta época do ano, também contribui para a diminuição do desemprego e para a circulação de dinheiro na economia.
     De todos os contratos firmados, segundo o levantamento, 62% devem vigorar por um período entre 61 e 90 dias, possivelmente devido à proximidade com o Dia das Mães; 25% por 31 a 60 dias e 12% por menos de 30 dias. Somente 1% por mais de 91 dias.

EFETIVAÇÃO
            Diferentemente dos anos anteriores, a efetivação dos temporários pelas empresas tomadoras de serviços é incerta em razão da instabilidade econômica. “O quadro de funcionários das empresas está enxuto e, em picos sazonais de produção e venda, como acontece na Páscoa, o trabalho temporário é a solução para recompor esta mão de obra e atender pedidos. A chance de efetivação existe para aquele profissional que se destacar e, mesmo assim, vai depender da combinação de dois fatores determinantes: competência do trabalhador e necessidade do contratante”, explica Vander Morales.
            Para as empresas fornecedoras de mão de obra temporária, a perspectiva de efetivação pelo contratante é de 12%; 63% acreditam que serão poucos os efetivados e 25% aposta em nenhuma contratação permanente.
PRIMEIRO EMPREGO
            O trabalho temporário é a chance do jovem em busca do primeiro emprego ter uma experiência profissional. Segundo as prestadoras de serviços, 63% dos clientes têm interesse neste público. Os outros 37% correspondem à terceira idade. 
INDÚSTRIA
·   Principais funções: auxiliar de produção; promotor de vendas; estoquista; auxiliar de cozinha; auxiliar de expedição; operador de empilhadeira; entregador e motorista.
·   Pré-requisitos para a contratação: experiência anterior desejável, dinamismo e facilidade para o trabalho em equipe.
·   Faixas salariais:
50% - R$ 1.321,00 a R$ 1.980,00
40% - R$ 1.000,00 a 1.320,00
10% - R$ 1.981,00 a 2.220,00
·   Principais benefícios: vale-refeição e seguro de vida

COMÉRCIO
·   Principais funções: repositor; vendedor; balconista; auxiliar administrativo; degustador.
·   Pré-requisitos para a contratação: dinamismo; facilidade em lidar com o público; experiência anterior desejável; organização; espírito colaborativo.
·   Faixas salariais:
82% - R$ 1.000,00 a R$ 1.320,00
18% - R$ 1.321,00 a R$ 1.980,00


Principais benefícios: vale-refeição; prêmio por desempenho; vale-alimentação.

Artigo, Glauco Fonseca - Os shortinhos da discórdia

Desliguei o rádio bem na hora em que estavam comentando, pela vigésima vez, a problemática político-indumentária dos shortinhos no Colégio Anchieta. Desci do carro e entrei no BarraShopping Sul para comprar um presente para meu queridíssimo amigo Jorge, que completa 60 anos hoje em grande festa. Antes que venham as piadinhas, não, não é o mesmo Jorge também do noticiário. O das notícias tem mais de 70.

Zanzei pra lá e pra cá e, finalmente, comprei um presente para um cara de 60 anos, coisa tão difícil quanto comprar presente pra mulher de 40...

Ao me dirigir para comprar um sorvetinho – ninguém é de ferro – comecei a observar que a enorme maioria das “aborrescentes” estava usando algo parecido com os tais shortinhos satânicos do Anchieta.
Como marqueteiro que sou (do bem, sem propinas ou superfaturamentos), entrei numa loja de vestuário feminino e perguntei à primeira vendedora que apareceu:

- Boa tarde. Por acaso, vocês têm aqueles shorts de jeans (no meu tempo era de brim) que as meninas andam usando?
- Estamos em falta, mas sábado chega.
- Muita procura? Perguntei.
- Muita? Bota muita nisso, disse a vendedora.
- Porque será? Disse eu, me fazendo de sonso
- Muito quente ainda. As gurias estão bronzeadas e querem mostrar as pernas (risos)
- Mas é daqueles bem cavados?
- Não. Aqueles são usados por gurias que gostam de bailes funk, com o cós lá em cima, e cavados como um biquíni.
- Meu Deus, exclamei, agora, realmente surpreso.
- Esses eu não tenho.

Saí desta loja no primeiro piso e no superior continuei minha pesquisa. Entrei em outra loja que estava vazia, com três vendedoras na frente.

- Olá, boa tarde. Estou fazendo uma pesquisa particular. Posso fazer uma pergunta para as senhoras?

Todas aquiesceram, sorridentemente.

- Esses shortinhos de jeans....
- Não temos, disseram em uníssono

E continuaram

- Uma pena, senão venderíamos horrores...
- É mesmo (olha aí o sonso de volta...)? Mas são aqueles bem cavados e “atochados” como se diz?
- Esses aí são os tais Shortquinis, são muito cavados e chega a dar pena de ver umas guriazinhas bem novinhas usando, disse uma delas.
- Se fosse minha filha, não deixava, disse a outra.
- Nem eu. É uma pouca vergonha, arrematou a terceira.

Eu perguntei, com aquela cara de mandolate:

- Mas por quê????
- O senhor sabe que elas chegam a afinar o tecido do fundilho, ficando só na costura que é pra usar sem calcinha e pra poder mostrar tudo em qualquer movimento?
- Nãããooooo, exclamei realmente impactado...será possível? É o fim dos tempos!

E me fui embora pensando “pra que fui perguntar? Viu? Agora vai até o fim!

Entrei na última loja, grande, de vestuário mais popular, mas de qualidade e fui até o reduto onde estariam expostos os tais shortinhos do capeta.

- Boa tarde. A senhora tem aqueles shortinhos em jeans?
- Pra que tu quer saber? Na lata, bem no meio dos olhos. O impacto da pergunta produziu em mim a derradeira necessidade de dizer nada menos do que a verdade.
- Eu estou curioso...
- As gurias todas estão desesperadas atrás. Não tem mais, mas amanhã vem vindo do interior, disse a senhora mais esperta que os advogados do Gerdau.
- A que a senhora atribui o sucesso desses shortinhos? Vendem muito?
- Ih, meu filho. Vende demais. A mulherada começa cedo...risos largos...

Pronto. Terminei a pesquisa.

A conclusão?


Água em morro abaixo, fogo em morro acima e mulher quando quer usar um shortinho, ninguém segura...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Senado abre aos grupos privados a exploração de 100% dos campos do pré-sal

O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira o projeto de lei que acaba com a participação obrigatória da Petrobras na exploração dos campos do pré-sal. O texto, que agora será votado na Câmara, estabelece que a estatal terá a prerrogativa de escolher se quer ser operadora do campo ou se prefere se abster da exploração mínima de 30% a que a lei a obriga atualmente.
“Hoje, a lei obriga a Petrobras a participar de algo que ela não quer e isso puxa o processo para baixo”, explicou o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que foi escolhido relator ad hoc (substituto) do projeto porque o relator titular, senador Ricardo Ferraço (Sem Partido – ES), está em viagem oficial.
O parecer aprovado é um substitutivo ao projeto original do senador José Serra (PSDB-SP) que propunha o fim da participação obrigatória da Petrobras na exploração do pré-sal, mas não dava a ela a prioridade sobre os campos. Pelo substitutivo, caberá ao Conselho Nacional de Política Energética oferecer à Petrobras a exploração mínima de 30% em cada campo e a empresa se manifestará se aceita ou não a responsabilidade.
O texto provocou longo debate, que se iniciou na sessão de terça e foi retomado nesta quarta no início da tarde. Vários senadores se manifestaram contrários à matéria, especialmente os do PT, que consideram que o projeto entrega o petróleo brasileiro para empresas estrangeiras a preço baixo, uma vez que o barril do óleo está com a cotação muito barata.
“Eu resumo este projeto num ponto central. Nós estamos querendo entregar o pré-sal a preço de banana para as multinacionais do petróleo, por US$ 30 o barril. A Petrobras descobriu, fez todo o investimento e agora, a US$ 30, querer tirar a Petrobras, não tem outro nome. Nós estamos entregando na bacia das almas o nosso futuro, o pré-sal”, argumentou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).
Para o autor do projeto, no entanto, o objetivo é o oposto. Serra lembrou que a Petrobras vem enfrentando forte crise econômica e não tem condição de fazer os investimentos necessários para a exploração do petróleo do pré-sal. Na opinião dele, é prejudicial para a empresa ter a obrigatoriedade da exploração.

“A Petrobras é uma empresa que tem tradição de eficiência, de pioneirismo, tem tradição de uma empresa com bons quadros, muita gente boa, apesar de toda a degradação da gestão feita nos últimos anos. O problema é financeiro. A Petrobras está quebrada financeiramente”, afirmou Serra. “Não se está tocando em nenhuma prerrogativa da Petrobras, apenas tirando alguns grilhões que ficam amarrando e confundindo a vida da empresa”, completou o senador de São Paulo.

Artigo, Marcelo Aiquel - O "tal" do clima de perseguição

       Eu nunca vi, nestes mais de 60 anos de vida, alguém que tenha “culpa no cartório” não se julgar perseguido ao ser denunciado.
      Até o reles ladrão de galinhas reclama do Delegado que o prendeu: “Dr.,por que somente eu vou preso? E os outros?” diz o meliante ao ser capturado.
      Este lamento significa que – antes de demonstraruma confissão explícita de culpa – o delinquente sempre se acha injustiçado.
      Pergunte para qualquer policial que você conheça se isto não é verdade.
      Daí que, saltando de patamar, trocamos a figura do “ladrão de galinhas”, aquele que pratica o crime de bagatela–também considerado pela doutrina e jurisprudência atual como “delito insignificante” – pelo assaltante de fortunas – comumente como adjetivamos os meliantes de colarinho branco, especialmente os envolvidosnos recentes escândalos de corrupção.
      O que diferencia os dois tipos? Ora, é tão somente o resultado do furto: enquanto o “ladrão de galinhas” furta para comer; o “ladrão de casaca” – e não estou me referindo ao conhecido personagem de ficção Arsène Lupin – furta para enriquecer.
      Mas, as diferenças acabam por aqui, pois o sentimento de injustiçadoé comum a ambos os tipos de meliantes.
      Traduzindo isto para os dias de hoje, assistimos – já nem tão estupefatos, diante da “rotineira normalidade” com que as notícias estão sendo divulgadas – alguns personagens importantes da República tentar justificar seus delitos (muitos deles, gravíssimos) com o pífio argumento de estar sofrendo uma perseguição orquestrada e injusta.
      Ora, o que estamos assistindonão se trata de nenhuma “perseguição ideológica”, mas sim apenas uma BEM ORGANIZADA perseguição policial,motivada pelas robustas evidências (quando não são fartas provas) da prática continuada de crimes financeiros.
      E tais evidências não foram escancaradas pela imprensa golpista, nem pela oposição raivosa, como alegam as “vítimas”. Também não o foram descobertas e expostas por coxinhas revanchistas, que supostamente desejariamum 3º turno das eleições.
      Voltando ao foco do artigo, esclareço que – até prova em contrário – todas as evidências foram levantadas durante a BEM ORGANIZADA investigação policial, com a indireta colaboração dos denunciados que, confiantes na impunidade que gozavam, foram sempre muito relapsos em suas condutas.
      A soberba destes “ladrões de casaca”explica o comportamento absolutamente desidioso, descuidado, e imprudente, que tem mantido.
      Afinal, a quadrilha imaginava estar acima da lei e da justiça, portando-se como os novos apóstolos do enviado de Deus.
      Só esqueceram que, na hora de “dividir os delicados...”, havia na mesa do banquete mais de um Pilatos. Se apenas um bastou para trair Cristo, e sem delações premiadas, coloquem vários deles sob o jugo da mão firme do juiz Sérgio Moro. O resultado é óbvio...
      Então foi criada a operação Lava a Jato.Até para compensar a frustração no final das investigações do Mensalão.
      E daí, a cada nova denúncia, aparece a “teoria da perseguição orquestrada”!
      Defendida (a citada teoria) pelos canalhas de sempre...

      Marcelo Aiquel – advogado (24/02/2016)


6a. fase da Opeação Zelotes envolve o grupo Gerdau, suspeito de sonegar R$ 1,5 bilhão

A 6ª fase da operação Zelotes, deflagrada na manhã desta quinta-feira, investiga o grupo empresarial gaúcho Gerdau, suspeito de sonegar até R$ 1,5 bilhão. A Polícia Federal (PF) designou agentes para cumprir 18 mandados de busca e apreensão e 22 mandados de condução coercitiva no Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.

Esta etapa da Zelotes apura a manipulação quanto ao andamento, distribuição e decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) em relação à siderúrgica gaúcha. De acordo com informações da PF, evidências apontam a continuidade da prática dos crimes investigados mesmo após a deflagração da operação em março de 2015.

A Operação Zelotes

Deflagrada pela PF em março de 2015, a operação investiga um dos maiores esquemas de sonegação fiscal já descobertos no Brasil. As investigações são sobre a atuação de quadrilhas junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Receita Federal (Carf), revertendo ou anulando multas. Estão sendo analisados 74 julgamentos do conselho realizados entre 2005 e 2013, nos quais, R$ 19,6 bilhões teriam deixado de ser recolhidos aos cofres públicos.

O Carf, órgão ligado ao Ministério da Fazenda, composto por 216 conselheiros em turmas de seis membros, julga em segunda instância recursos administrativos fiscais relativos a tributos cobrados pela Receita Federal. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os integrantes do esquema de corrupção escolhiam processos de grande valor que estavam na pauta do órgão, buscando, em seguida, oferecer uma solução conveniente às companhias em troca de dinheiro.

Os operadores atuavam no fluxo dos processos, recorrendo à corrupção de conselheiros. Parte dos conselheiros envolvidos, segundo o MPF, era do Ministério da Fazenda, mas a maioria pertencia ao Sistema S, que compreende entidades voltadas ao treinamento profissional, entre as quais estão Senai, Sesc, Sesi e Senac.

Entre as empresas investigadas na operação estão os grupos gaúchos Gerdau, RBS, Mundial-Eberle e Marcopolo. O Carf tem R$ 516 bilhões em processos para julgamento. Em média um processo leva oito anos para ser julgado.


Os crimes investigados na operação são de Advocacia Administrativa Fazendária, Tráfico de Influência, Corrupção Passiva, Corrupção Ativa, Associação Criminosa, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro.

José Nêumanne: O talento número 1 de João Patinhas

José Nêumanne: O talento número 1 de João Patinhas
Publicado no Estadão
Na semana passada, a literatura universal perdeu um dos mais eruditos entre seus exegetas e também um dos mais bem-sucedidos de seus criadores com a morte de Umberto Eco. Este, contudo, não levou para o túmulo um célebre axioma universal do romance policial, seja o mais popular, seja o mais sofisticado: o criminoso sempre volta ao local do crime.  O grande mestre, porém, desapareceu sem ter tido a oportunidade de conhecer uma contribuição, dada pelo grupo de criminosos que promoveu no Brasil o maior assalto ao patrimônio público de todos os tempos e que, de certa forma, parodia esse truísmo: o novo tesoureiro sempre volta a cometer o crime do antigo.
Foi assim que o ex-tesoureiro do partido que manda na República há 13 anos (por coincidência, o número com que está inscrito na Justiça Eleitoral) Delúbio Soares, condenado na Ação Penal (AP) n.º 470, vulgo mensalão, por corrupção, entre outros delitos, foi imitado por seu sucessor. Como é notório, João Vaccari Neto já foi condenado por similar sequência de crimes após investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, e com penas impostas pelo juiz da chamada e muito aclamada Operação Lava Jato, Sergio Moro, da Justiça Federal do Paraná.
Com sua habitual dose de ironia, a deusa grega Clio, que rege a História, acaba de nos conceder exemplo da mesma natureza, que parece ter sido feito para confirmar a máxima anterior e exatamente na atividade em que o citado professor Eco foi pontífice máximo desde os anos 60: a comunicação de massas. Em depoimento na Câmara, em 2005, o publicitário baiano Duda Mendonça abalou os alicerces da política profissional no Brasil ao revelar que havia recebido em moeda estrangeira e em contas no exterior o pagamento por seus serviços à campanha vitoriosa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). Mostrando que, em política e polícia, o raio pode cair no mesmo lugar, isso acaba de acontecer com quem o substituiu na função.
A prisão temporária do sucessor de Duda na campanha de reeleição de Lula, em 2006, e nas vitórias de Dilma Rousseff, apoiada pelo antecessor, em 2010 e 2014, outro baiano, João Santana, confirma, de forma peremptória, a aplicação do aforismo sobre o tesoureiro quando se trata de marqueteiro. E não é mera coincidência. Afinal, nos tempos modernos da comunicação de massas, genialmente explicados por Eco, o guardador de dinheiro e o fabricante de sonhos para enganar eleitor têm importância capital na disputa pelo voto do povo. E distorcem a paródia de Hegel por Marx, segundo a qual a História acontece como tragédia e se repete como farsa. Na versão do PT brasileiro, só se conhecem tragédias.
Surpreendido pela notícia fatídica quando tentava asfaltar o caminho de volta de Danilo Medina, do Partido de la Liberación Dominicana, à presidência da República Dominicana, o marqueteiro defendeu-se como pôde. Ocorreu-lhe, por exemplo, dizer que o dinheiro que entesoura em bancos estrangeiros foi licitamente ganho em campanhas que assessorou no exterior. Convenhamos que imaginar que nos convence de que faturou milhões de dólares de candidatos de Venezuela, El Salvador, República Dominicana, nas Américas do Sul e Central, e Angola, na África, com economias a anos-luz da brasileira, por mais críticas que sejam nossas condições econômicas no momento (o que está longe de ser o caso nas primeiras campanhas de Lula e Dilma), é uma aposta muito arriscada em nossa estupidez coletiva. Por mais razões que algum observador cruel tenha para justificar esse motivo, é contar excessivamente com a credulidade popular. Muito embora sua imaginação publicitária tenha sido capaz de ludibriar mais de 54 milhões de eleitores brasileiros que sufragaram sua candidata em 2014 imaginando que com as asas de suas mentiras voariam sobre o abismo à vista.
Se Aristóteles pudesse ressuscitar e opinar, talvez o tutor de Alexandre, o Grande, arriscasse a hipótese mais lógica de que pode ter ocorrido exatamente o contrário: o propinoduto da Petrobras e a generosidade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) podem ter financiado as campanhas dos companheiros venezuelano, salvadorenho, dominicano e angolano. Seria, no mínimo, curioso imaginar mais essa dívida da originalidade histórica a nosso PT: com o fracasso da exportação da revolução cubana de Fidel Castro e Ernesto Che Guevara para o Terceiro Mundo, a esquerda tupiniquim inaugurou a exportação da corrupção do Robin Hood às avessas, em que os pobres empobrecem para enriquecer os companheiros socialistas.
A hipótese, contudo, é absurda: para Hegel e Marx, os fatos históricos podem voltar a ocorrer, mas não seus protagonistas. Sem Aristóteles para nos tutelar, podemos concluir que enfrentamos uma tentativa de negar a História e, ao mesmo tempo, dotá-la de um espelho às avessas. A Operação Lava Jato mandou prendê-lo após reunir provas testemunhais e documentais acachapantes de seus crimes contábeis. Só que ele, contando apenas com seu extraordinário dom de iludir nosso eleitorado, se diz vítima de “perseguição” sem considerar nenhuma das evidências apresentadas por policiais e promotores federais, com aval de um juiz respeitável.

O desgoverno falido, assombrado pela hipótese de o Tribunal Superior Eleitoral interrompê-lo com a cassação de Dilma e Temer, diante de novas provas óbvias, argumenta que pagou R$ 70 milhões (!) pelo talento número um de João Patinhas. E, ainda assim, nada tem que ver com suas diabruras contábeis. Isso é tão convincente como persuadir policiais, promotores, juiz e todos nós de que o “chefe” citado nos e-mails de Léo Pinheiro, da empreiteira OAS, publicados na capa da revista VEJA, seja Touro Sentado, Tibiriçá ou Winnetou. E que “madame” seja Pompadour, Bovary ou Ming.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Onda azul cobre a América do Sul. A onda vermelha desaparece.

Onda azul cobre a América do Sul. A onda vermelha desaparece.            

1. O costumeiro georreferenciamento do voto nos quadros que a imprensa apresenta vai mostrando nos últimos dois anos uma progressiva redução da mancha vermelha, que simboliza as forças políticas do centro para a esquerda, e uma enorme expansão da mancha azul, do centro para a direita.
                
2. Esse processo se inicia uns anos antes, com o aumento da rejeição dos governos da mancha vermelha. E se acentua mês a mês. Com o novo ciclo de eleições, as altas taxas de rejeição se transformam em mudanças nos governos. Apesar da enorme máquina peronista de Cristina Kirchner e sua resistência à rejeição, as eleições presidenciais surpreenderam as pesquisas no primeiro turno e mostraram a ascensão de uma frente de centro/centro-direita. No segundo turno, a vitória de Macri se deu sem sustos. A mancha azul ocupou quase todo o país.
                
3. As eleições parlamentares na Venezuela, em dezembro de 2015, apesar de todas as manipulações e prisões perpetradas pelo chavismo, representado pelo pior populismo, o de Maduro, confirmou de forma aplastante o que diziam as pesquisas. A mancha azul ocupou todo o país e a oposição venceu com a maioria constitucional de pouco mais de 2/3 dos parlamentares. O quadro político se inverteu e o governo aprovou lei delegada antes da posse do novo parlamento e –em seguida- passou a agir de forma obstrutiva lastreado por confirmações da Corte Suprema de lá.
                
4. Evo Morales, apoiado nas pesquisas que lhe davam maioria nacional, chamou a um plebiscito para alterar a Constituição e lhe abrir espaço para mais um mandato presidencial, o quarto, em direção a 2025. Um e outro escândalo de corrupção foram divulgados e Evo Morales censurou os responsáveis, lavando as suas mãos, no conhecido método lulista. E mais perto da eleição surgiu o caso de sua ex-namorada contratada por uma empresa chinesa por milhões. Mas o SIM e o NÃO foram convergindo e chegaram ao plebiscito empatados. Cumprida a tendência, o resultado foi a vitória do NÃO e a rejeição ao quarto mandato. A mancha azul ocupou quase toda a Bolívia, exceção significativa da província de La Paz, fronteira com Peru e Chile. A onda azul cresceu geometricamente em direção ao leste, à fronteira com o Brasil, onde a vitória do NÃO em Santa Cruz e Pando foi acachapante.
                
5. Agora, em abril, vêm as eleições presidenciais no Peru. A rejeição ao presidente Humala –militar chavista, mas acomodado na campanha pela propaganda petista estilo 2002- atingiu recordes próximos aos números de Dilma. O quadro das candidaturas presidenciais está pulverizado. Lidera a filha de Fujimori. Ascendeu Julio Gusman, economista que já foi do BID, ministro da fazenda e coordenador de gabinete. Criou um partido –Todos pelo Peru- e ocupa o segundo lugar uns 10 pontos abaixo dos 30 pontos de Keiko Fujimori, com um discurso genérico. Humala sequer se arriscou a ter candidato. Independente do resultado, a mancha azul ocupará todo o país.
                
6. Finalmente, o Brasil, que vive um “ciclo eleitoral” de impeachment com rejeição recorde –talvez- em toda a história política da América do Sul. Dilma respira com a ajuda das máquinas, mas a cada visita do noticiário fica mais difícil sobreviver. A mancha vermelha desapareceu do mapa, e o que se pergunta apenas é: Qual será a cor da mancha que substituirá a mancha vermelha em curto ou médio prazos: a azul de Aécio/Alckmin, a verde de Marina, a roxa de Ciro, a amarela de Alvaro Dias, a rosa de Cristóvam Buarque...? Um segundo turno garantido.
                    

7. Na ausência de lideranças substantivas, o único certo é que a mancha vermelha desparecerá nesse ciclo político. Que a imprevisibilidade de hoje abra caminho para o progresso amanhã.

Editorial do Estadão: A queda do marqueteiro

A decretação da prisão de João Santana, o poderoso marqueteiro das campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, é um dos desdobramentos mais graves de toda a Operação Lava Jato. Embora a força-tarefa tenha enfatizado que seu trabalho, ao menos por ora, não é investigar campanhas eleitorais, o nexo entre Santana e o desvio de dinheiro da Petrobras para financiar a eleição de petistas salta aos olhos.
Seja lá que versão os magos da impostura a serviço do PT inventarão agora para explicar o que fizeram Santana e seus encalacrados clientes, o fato é que está por um fio a linha de defesa de Dilma a respeito da lisura de sua campanha – ela insiste em que o financiamento da campanha eleitoral foi considerado legal pelo Tribunal Superior Eleitoral e, por essa razão, tudo o mais seria irrelevante. Tal alegação, como hoje está mais claro do que nunca, faz troça da inteligência alheia e não pode ser aceita sem ressalvas pela Justiça.
Batizada de “Operação Acarajé”, em alusão ao termo que alguns investigados usavam para se referir à propina, a nova redada da Polícia Federal teve como alvos João Santana e a Odebrecht. A empreiteira teria usado empresas offshore para movimentar contas ocultas no exterior e depositar US$ 7,5 milhões na conta de outra offshore, que seria do marqueteiro.
O dinheiro, pago em diversas parcelas entre 2012 e 2014, seria proveniente da Petrobras e serviria para quitar despesas de campanhas do PT de 2008 a 2012. O intermediário da transação seria Zwi Skornicki, representante do estaleiro Keppel Fels, de Cingapura, que entre 2003 e 2009 fez negócios com a Petrobras no valor total de US$ 6 bilhões. Skornicki, apontado pelo ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco como o operador do repasse de US$ 40 milhões para diretores da estatal e para o PT, foi um dos presos na operação.
O cerco a João Santana leva a Lava Jato a uma nova dimensão. Atinge o estrategista das agressivas campanhas petistas das eleições presidenciais de 2006 a 2014, que ajudaram a criar o clima de antagonismo que hoje cinde o país. A cada novo sucesso de Santana, consolidava-se sua aura de gênio eleitoral e, com ele, a lamentável certeza de que não se ganha eleição no Brasil sem apelar ao marketing agressivo.
Foi assim que Santana amealhou notoriedade. É inesquecível sua estratégia na eleição de 2014, que Dilma venceu depois de agredir todos os seus adversários. A arrogância dos petistas ficou especialmente clara nas palavras do marqueteiro, que declarou, um ano antes do pleito, que “a Dilma vai ganhar no primeiro turno, em 2014, porque ocorrerá uma antropofagia de anões” – uma referência aos outros candidatos. “Eles vão se comer, lá embaixo, e ela, sobranceira, vai planar no Olimpo”, arrematou Santana, talvez movido pela confiança de quem sabia que a campanha petista tinha enorme vantagem sobre as demais porque podia contar com a incalculável pecúnia proveniente da roubalheira na Petrobras.
Como se sabe, no entanto, o prognóstico do confiante Santana não se confirmou – Dilma teve de apelar às táticas de atemorização do marqueteiro para vencer um duro segundo turno. O custo desse sucesso imoral está sendo pago em dolorosas prestações até hoje, na forma de grande impopularidade.
Enquanto isso, Santana continuou a posar de guru dos candidatos “progressistas” latino-americanos. No momento em que se expediu o mandado de prisão contra o marqueteiro, ele estava na República Dominicana, onde coordenava a campanha à reeleição do companheiro Danilo Medina, que desde sempre contou com o apoio de Lula e cujo governo, logo após uma visita do chefão petista em 2013, entregou uma obra de R$ 2 bilhões à Odebrecht, com crédito do BNDES.
Medina provavelmente terá de encontrar outro marqueteiro, porque o poderoso Santana, principal conselheiro tanto de Dilma como de Lula em momentos de crise, tem contas a acertar com a Justiça. Desde já, porém, pode-se dizer que a importância do avanço da Lava Jato contra Santana não está nos apuros desse personagem, e sim na evidência inapelável de que, nas campanhas eleitorais petistas, “fazer o diabo” não era mera força de expressão.

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Ex-diretor da CGTEE e outros cinco acusados vão para a cadeia no caso dos avais falsos ao banco alemão KfW

Na última semana, em segunda instância, o tribunal concluiu o julgamento dos recursos e aceitou parte dos pedidos do MPF, aumentando as penas dos réus condenados. Os magistrados também concordaram com o recurso de Erwin Alejandro Jaeger Karl, que era representante de uma das empresas envolvidas, absolvendo-o de um dos crimes, o de corrupção ativa. As apelações criminais dos demais réus foram negadas. As absolvições ocorridas em primeira instância foram mantidas pelo tribunal.

Os réus que tiveram a condenação confirmada em segunda instância, com início da pena em regime fechado, devem começar seu cumprimento, mesmo com determinação de expedição de prisão pelo juiz federal Nivaldo Brunoni, somente após prazo para advogados apresentarem embargos de declaração ou infringentes — o que eles já adiantaram que devem fazer. Por isso, as prisões só devem ocorrer "após serem esgotados todos os recursos cabíveis no TRF4", informou o tribunal.

De acordo com o TRF4, os advogados têm o prazo de dois dias para apresentar embargos de declaração — quando a parte busca esclarecimento ao tribunal de determinado aspecto da decisão —, e de 10 dias para os infringentes — quando se busca a rediscussão da determinação judicial quando a decisão não é unânime entre os desembargadores, o que ocorreu no caso em questão.

"Se houver interposição de embargos infringentes, verificam-se os requisitos para o recebimento do recurso e, se aceito, o processo é redistribuído para análise da 4ª Seção do TRF4, que reúne a 7ª e 8ª Turmas, especializadas em matéria criminal. Os desembargadores federais analisam o pedido, formulam seus votos e o processo é pautado pelo magistrado relator para ir à julgamento", esclarece o tribunal em nota.


Veja abaixo o nome dos réus, suas respectivas condenações e contrapontos:

Carlos Marcelo Cecin: era diretor técnico e de meio ambiente da CGTEE e foi denunciado por assinar as garantias para o empréstimo. Ele foi condenado por falsidade ideológica e corrupção passiva à pena de 12 anos, seis meses e 10 dias, em regime inicial fechado.
O que diz a defesa: o advogado Lucio Santoro de Constantino alega que houve um equívoco na aplicação da pena, pois a decisão do TRF4 não teria ampliado a pena de acordo com o que foi requerido pelo MPF. Por isso, vai recorrer ao TRF4 para readaptar a pena. O defensor diz que, em outra linha, vai recorrer da decisão também no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Alan de Oliveira Barbosa: era presidente da empresa Hamburgo Energia, tendo participado das negociações. Ele foi condenado por falsidade ideológica, uso de documento falso, falsificação de documento público e corrupção ativa à pena de 12 anos de reclusão, em regime inicial fechado.
O que diz a defesa: o advogado Cyro da Silva Schmitz diz que respeita a decisão, mas que vai usar todos recursos previsto em lei, questionando aspectos da decisão no sentido de majorar a pena.

Joceles da Silva Moreira: era assessor jurídico da CGTEE e elaborou pareceres favoráveis ao empréstimo sem autorização do Conselho de Administração. Ele foi condenado por falsidade ideológica e corrupção passiva à pena 12 anos, seis meses e 10 dias, em regime inicial fechado.
O que diz a defesa: o advogado Cyro da Silva Schmitz diz que respeita a decisão, mas que vai usar todos recursos previsto em lei, questionando aspectos da decisão no sentido de majorar a pena. 

Luciano Prozillo Júnior: era diretor financeiro da UTE Winimport e participou do esquema. Ele foi condenado por uso de documento falso e falsidade ideológica à pena de três anos e quatro meses, em regime inicial aberto.
O que diz a defesa: o advogado Roberto Brzezinski Neto diz que ainda não analisou a decisão, mas que deve interpor recurso aos tribunais superiores, STJ e STF.

Erwin Alejandro Jaeger Karl: era representante da CCC Machinery no Brasil. Ele decidiu abrir a empresa aqui para que fosse proprietária das usinas. Para concretizar o negócio, ele teria ajudado a falsificar a documentação que forjava o aval da CGTEE. Karl foi condenado por falsificação de documento público, uso de documento falso, falsidade ideológica e corrupção ativa. Ele foi o único réu que teve o recurso parcialmente atendido pelo tribunal, sendo absolvido do crime de corrupção ativa. A pena será de 11 anos de reclusão, em regime inicial fechado.
O que diz a defesa: o advogado  Aury Celso Lima Lopes Junior, que consta no processo como defensor do réu, diz  que não defende mais Karl. ZH não conseguiu localizar o próprio réu.

Júlio César Azevedo Magalhães: era um dos donos da Enerpal, empresa sócia majoritária da Hamburgo. Ele estava com os documentos falsificados na sede da Elétrica Jacuí (Eleja) quando houve a apreensão pela Polícia Federal. Magalhães foi condenado por falsificação de documento público à pena de três anos, sete meses e seis dias, em regime inicial aberto.
O que diz a defesa: o advogado Paulo Roberto Cardoso Moreira de Oliveira diz que vai recorrer ao STJ, porque entende que a condenação é injusta, pois não tem "configuração probatória necessária pra condenação criminal", e que outros aspectos relevantes não foram levados em conta.


A absolvição de Filipe Parisotto, Iorque Barbosa Cardoso e Celso Antônio Barreto do Nascimento foi mantida. Todos os condenados criminalmente também deverão pagar multas, que variam entre R$ 3 mil a R$ 45 mil.  

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Arrigo, João A. de Souza Filho, escritor - meu desabafo

Este ano completarei 70 anos de idade, o que significa que resido na cidade de Porto Alegre exatamente 66 anos. Desde os 14 anos de idade, quando tive meu primeiro emprego na Casa Genta, na Rua do Parque 437 que acompanho o desenvolvimento, a política e a vida na cidade. Era o tempo dos bondes.
Existem coisas gravadas na memória. Residia na Vila dos Comerciários e a prefeitura estava rasgando uma avenida que ligaria a rua Dr. Carlos Barbosa até o bairro Cristal. Eu tinha 11 anos de idade! Os meninos da minha idade e eu brincávamos de nos esconder nas tubulações subterrâneas do esgoto pluvial e também cloacal ainda limpos. Entrávamos por uma tampa de ferro e saíamos adiante. Era divertido. A prefeitura largou a obra e permitiu que casebres fossem erguidos no futuro leito da Avenida Cruzeiro do Sul, e a área se tornou uma grande favela! Hoje, o município não consegue recomeçar uma obra feita no final da década de 50.
Alguém se lembra disso? Não. Poucos como eu se lembram da futura avenida sobre a qual depois construíram um posto do INSS logo na entrada de quem vem pela Carlos Barbosa.
E, ao longo dos anos ouço promessas em tempos de eleições. Havia planos de viadutos na Zona Norte, junto ao Triângulo, mas, entrou um novo governo e construiu no local um terminal de ônibus que faz dois anos foi destelhado por um temporal e nunca restaurado. E aí Fortunati? O trânsito ali só pra quem conhece a região. E os planos de se fazer elevadas na Av. Sertório com a Assis Brasil; e a duplicação da Sertório até a Av. Baltazar de Oliveira Garcia; e o viaduto junto a FIERGS onde o trânsito engarrafa quilômetros adentro pela Freeway na hora do rush. Promessas e mais promessas!
A propósito, a Av. Sertório entre a Ceará e o Jardim Lindóia demorou vinte anos para ser concluída! Eu tinha 8 anos de idade e acompanhava meu pai levando argila na caçamba do caminhão para aterrar o banhado e quando eu tinha 28 anos de idade, finalmente aquele trecho foi concluído.
Não fosse o período de intervenção militar (não houve ditadura e sim intervenção) e não teríamos a Av. Castelo Branco (desculpem-me os vereadores que mudaram o nome da Avenida; deveriam também tirar o nome de Júlio de Castilhos de praças e ruas de Porto Alegre porque ele foi o interventor que esteve por traz da degola na história do RS e um humanista perigoso e implacável contra os que se lhe opunham). Repito. Não fosse a intervenção militar não teríamos a ligação via Freeway para o litoral, porque os ecologistas não permitiriam a construção da rodovia junto as lagoas de Osório.
E agora virão novas eleições para vereadores e prefeitos. Votar em vereador para apenas dar nome de rua, títulos honoríficos e proibir o uso de sal em restaurantes – interferindo na vida pessoal de cada cidadão – é um fardo que desanima o eleitor sair de casa e comparecer às urnas. Acho que depois dos 70 nunca mais comparecerei a uma urna para votar!
Finalmente, ao chegar aos setenta anos de idade tenho saudades de sair à noite pelas ruas da cidade, porque, agora, a qualquer hora somos atacados na entrada da casa, na esquina, nas ruas por assaltantes que vivem impunes. Quando os assaltantes são presos sempre existe um delegado concursado – outra anomalia em nosso sistema de segurança, porque delegado deveria ser cargo de carreira como nos Estados Unidos – prontos a soltá-los, por medo ou sei lá o quê.
Arrependo-me de voltar para o Brasil, eu que vivi em San Francisco na Califórnia de 1969 a 1971. Não tenho mais orgulho da cidade que me acolheu quando eu tinha quatro anos de idade; não posso subir os montes nem mirar a cidade de seus altos; não tenho orgulho de viver no RS hoje um dos Estados mais atrasados da Federação. Resta-me, portanto, recolher-me atrás das grades de minha casa, porque, para onde fugirei da violência se ela se espalhou como praga em toda a antiga Província Cisplatina do RS?
Que me responda o prefeito Fortunati, o Governador Sartori, o Secretário de Segurança, os vereadores e deputados. Afinal, em que mundo vive essa gente? Certamente não é o mesmo mundo em que eu vivo!

Hoje recomendo aos meus netos que saiam do Brasil de Dilma, de Cunha, de Temer e Calheiros, que fiquem longe dessa pátria que amamos, porque aqui não se vislumbra futuro algum!

Servidores cedidos para sindicatos

O governo Sartori resolveu recrudescer e vai reapresentar o projeto que manda retornarem ao serviço público os servidores cedidos aos sinicatos.

A Assembléia recusou-se a votar o primeiro projeto.

De acordo com a Lei de Acesso à Informação (LAI), usada pelo editor, 118 servidores do Executivo estadual estão cedidos para sindicatos.

Mesmo exercendo mandato sindical, portanto sem prestar serviços nos locais para os quais foram nomeados e estão lotados, usufruindo todas as vantagens, inclusive aposentadoria integral, os funcionários públicos seguem recebendo seus proventos pelo Estado.

Mensalmente, R$ 1.345.281,38 milhão da folha de pagamento do funcionalismo é destinado a este grupo. Existem casos, como o do presidente da Fessergs Sérgio Arnoud, que recebe pelo Legislativo. Mas vale lembrar que o duodeno da Assembleia Legislativa também sai dos cofres públicos. A fonte é a mesma, também do Poder Judiciário, que igualmente possui servidores cedidos e recebendo pelos cobres públicos e não por seus sindicatos ou associações.

Existem dirigentes sindicais que recebem mais de R$ 57 mil por mês.

Esta é a lista Top 10, que é a dos dirigentes sindicais do setor público estadual que recebem mais do que o governador ou de qualquer deputado e desembargador:

A lsita vai por nome, total bruto e nome do sindicato:

Abel Henrique Ferreira
R$ 57.163,06
Ex-presidente da Afisvec
Roberto Kupski
R$ 53.582,22
Ex-residente da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais
Geraldo Scheibler
R$ 49.077,99
Diretor de Relações Parlamentares e Institucionais do Sindifisco-RS
Silvia Pinheiro de Brum
R$ 46.952,43
2ª vice-presidente da Ass. Dos Defensores Públicos do RS
Zulmir Ivanio Breda
R$ 45.680,79
Conselheiro do Conselho Federal de Contabilidade
Enio Julio Pereira Nallem
R$ 42.197,10
Diretor Administrativo da Afisvec
Marta Beatriz Tedesco Zanchi
R$ 40.451,54
Vice-presidente da Ass. Defensores Públicos do RS
Celso Malhani de Souza
R$ 39.216,00
Presidente do Sindifisco-RS
Altemir Feltrin da Silva
R$ 32.952,08
Presidente da Afisvec
Carlos Eduardo Bijoldo Fossa
R$ 31.745,96
Diretor Financeiro do Sindifisco-RS
OBS: Os valores que ultrapassam o teto salarial do RS (R$ 30.471,11) são descontados.

A lista abaixo foi publicada ontem pelo editor:

- Celso Malhani de Souza (Sindifisco-RS): R$ 39.216,00
- Altemir Feltrin da Silva (Afisvec):  R$ 32.952,08
- Marcelo Gomes Frota (Asofbm): R$ 25.075,21 
- Mario Claúdio Schneider Marcelino (Ugapoci): R$18.601,88 (Inativo)
- Carlos de Martini de Souza (Afocefe): R$ 15.170,34
- Sérgio Arnoud (Fessergs): R$ 14.992,91
- Joanes Machado da Rosa (Sintergs): R$ 12.880,36
- Thiago Pereira Duarte (Ass. Gaúcha de Peritos Legistas do RS): R$ 11.820,10
- Claudio Augustin (Sind. Dos servidores públicos do RS): R$ 10.081,20
- Ilorita Cansan ( Sinpol-RS): R$ 10.635,76
- Isaac Delivan Lopes Ortiz (Ugeirm): R$ 9.397,98
-Flavio Bastos Berneira Junior ( AMAPERGS-Sindicato): R$ 9.366,97
- Leonel Lucas Lima (Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar): R$ 5.166,39


- Helenir Aguiar Oliveira (Cpers-Sindicato): R$ 1.834,90

Artigo, Marcelo Aiquel - A deslavada cara de pau do PT gaúcho

      Nesta última semana, três fatos envolvendo os dignos políticos do PT gaúcho chamaram a atenção:

      O primeiro (não necessariamente nesta ordem) foi o lançamento da propaganda partidária nas redes de comunicação.
      Invadiram as telas de nossas TVs figuras carimbadíssimas, com um requentadodiscurso de austeridade e seriedade, prometendo (ah, como os políticos adoram fazer promessas vazias...) soluções miraculosas para os problemas nacionais, estaduais, e municipais.
      Como se eles não tivessem tido a oportunidade de comandar o país, o RS e Porto Alegre. Sem resolver nenhum dos problemas, além de criarem outros...
      Ah, apareceram também alguns expoentes da grande Porto Alegre: O ex-prefeito que teve o “generoso” auxílio dos impostos da GM, em Gravataí; o prefeito marqueteiro de Canoas (quepromove até inauguração de bueiros); e o senador Paim (a “eminência parda” que pretendia abandonar o partido até outro dia, mas acabou ficando... a que custo? É um mistério).
      Todos, sem exceção, apareceram com mensagens positivas, porém distanciados do governo federal que nem citaram para fazer defesa.     Curioso! São do mesmo partido, mas tentam demonstrar que nada tem a ver com as denúncias que surgem sem parar... Devo ter esquecido que, contra eles (O PT gaúcho), jamais houve nada. O episódio do Diógenes de Oliveira não conta, não é?
      Para os petistas, apenas as reputações dos oposicionistas podem ser atacadas, pois eles são sempre corretíssimos...

      O segundo fato (também citado sem ordem de importância) foi o apoio que alguns deputados foram emprestar ao “chefe” Lula, em S. Paulo.
      Compareceram os gaúchos de sempre: Maria do Rosário; Henrique Fontana;e ElvinoBohnGass; entre outros.
      E isso aconteceu num dia de semana, quando eles – que deveriam estar no Congresso Nacional (afinal foram eleitos para representar o povo na Câmara e não para fazer viagens de agrado ao seu “chefe”) – posaram sorridentes “trabalhando” numa manifestação festiva bem longe de Brasília.
      Depois, ninguém sabe por que sempre há falta de quórum nas votações da Câmara dos Deputados?
      Não vou nem questionar quem teria bancado a homenagem, as passagens aéreas, e as despesas todas.

      O terceiro fato relevante da semana foi uma manifestação do ex-governador Tarso Genro, em defesa do “chefe” Lula.
      Com a arrogância e a falta de oportunismo que lhe são peculiares, o petista cometeu a infelicidade,e a irresponsabilidade, de comparar o injustiçado e coitadinho doLula com os judeus assassinados pelos nazistas na tragédia universal do Holocausto.
      Ora, nem o maior defensor do nazismo teria tamanha desfaçatez.
      Mas o senhor Tarso Genro, aqueleque promete “peremptoriamente”,mas não costuma cumprir a sua palavra,e que após afundar o RS resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro, tem – volta e meia – se utilizado do twitter para vomitar suas costumeiras asneiras.      Como agora!
      Só que, desta vez, a parvoíce foi tanta que sequer merece comentários.

      Encerrando este breve artigo, posso concluir que – quando muito – mudaram as moscas no PT gaúcho.
      Porque o resto continua igual...


      Marcelo Aiquel – advogado (21/02/2016)

Artigo, Marli Gonçalves - Vergonha deste País

A gente fica meio assim, encabulado, tímido, introspectivo. Às vezes nem comenta, porque já está até chato, mas fica ali matutando, com o assunto na cabeça. Tem sido assim nesse nosso país já faz mais de ano, parece que entramos numa espiral

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Qual vai ser a próxima? Qual será a frase que nossa presidente dirá e que passaremos a semana inteira ironizando e sacaneando? Será que ela vai citar de novo a volátil mosquita?

Quem vai aparecer da tumba, para não morrer deitado, e virá com mais revelações picantes de caráter pessoal? A famosa Rose, do Lula? Daria tudo para conseguir essa entrevista, nesse momento o poço dourado dos jornalistas que cobrem política. Se pudesse estaria no rastro dela - instinto de repórter na veia.

Mesmo se eu não a encontrasse, tenho certeza que boas pistas no caminho não falhariam. Guerra é guerra e está visível que nesse momento está deflagrada uma fantástica batalha de ódio e comunicação, uma interessante maratona para ver quem consegue levar o Barba à linha de chegada, aliás, para bem além dela. Ou encontrar quem consegue anular a prova.

Será que essa semana, além do constrangimento de ver o senador Delcídio do Amaral, o preso-solto-morto-vivo, adentrar o Senado, vamos ter o Japonês da Federal lá dentro para buscar algum outro? Ou será que o Japonês da Federal vai ter o ego subindo pra cabeça e vai voltar lá só para fazer selfies, inclusive posando pimpão com os investigados?

Pode ser que na nossa tevê apareça algum comercial novo, vindo da lama, como se a lama envenenada já não falasse mais alto a cada dia que passa; comercial variado e com outros funcionários sorridentes, bonitinhos, assumindo a culpa e a desculpa. Não tem jeito: você também ainda vai ter de ouvir a propaganda de um vampiro de tez bem branca falar que não devemos aceitar propaganda enganosa dos partidos, e que o dele é que é legal. (!)

Por falar nisso, quantas criancinhas não estão comendo nem o lanche que atrai para a educação, porque alguém está abrindo a lancheira no caminho para surrupiar o leitinho, morder a maçã, quebrar o biscoito? Quantos olhinhos cabisbaixos eles mostrarão jurando que não, que merenda escolar é sagrada e aliás eles nem sabiam que existia, como é que iriam roubá-la? O que mais não vamos poder saber enquanto não se passarem 50 anos? Inovador: governo inventa Cápsula do Tempo. Um buraco, as informações dentro de uma caixa, e que só daqui a 50 anos será aberta. Imaginando, né? - a grande importância que coisas deste governo medíocre terão daqui a 50 anos. Ou mesmo hoje.

Vergonha.

Nós nos rebaixaremos tanto que mostraremos os fundilhos ao mundo que nos observa, num misto de pasmo com curiosidade? Quanto mais se abaixa, diz o provérbio português, mais o fundilho se lhe vê. Aliás, não é exatamente fundilho a palavra que usam. Nem mesmo muitos brasileiros temos ainda capazes de encantar. Jogadores também nos envergonham, e era uma de nossas artes.

Que números mostraremos às mães? Quantas serão as crianças doentes? Que acontece que somente agora viram o que a mosquita carregava em seus voos, sem ser incomodada por nada, nem fumaças, nem autoridades sanitárias, ou outra autoridade qualquer, e a lista aumenta, ameaçando severamente a nós todos? Qual bobagem dirá o ministro, se é que ele não vai precisar ir até ali por algumas horas participar de alguma votação importante - para ele?

Vergonha. Se não chove, não tem água. Se chove, acaba a luz. O lixo entope os bueiros, água sobe, as árvores caem, as pessoas se desesperam e nada acontece e assim por diante já sabemos o que vai acontecer assim que o céu ruge.

Que faremos? Se de um lado nos divertimos com os Trapalhões, de outro temos de ver como substituir esse espetáculo dantesco, e o que se vê diante de nós é tosco demais, filme-B, Z.

São Paulo, 2016, sonhos de uma noite de verão

Marli Gonçalves, jornalista - Só cantando, com o grande Nélson Cavaquinho, porque tem coisas que a gente não pode falar. (...) "É o juízo final. A história do bem e do mal. Quero ter olhos pra ver. A maldade desaparecer" (...)

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Escritor americano aponta o brasileiro como o grande problema do país e desperta reações extremada

Texto publicado por escritor americano mexe com os brios do brasileiro e põe em questão a relação dúbia que o brasileiro tem com o olhar estrangeiro e a própria autoimagem

Pouca gente fala tão mal do Brasil quanto o próprio brasileiro, ou ao menos uma determinada parcela bem identificável da sociedade brasileira – da classe média para cima, digamos. Mas se alguém o fizer – e não for um brasileiro, prepare-se para a indignação que não se fará esperar, ainda mais nesta época rápida de redes sociais.
Foi o que fez Mark Manson, um escritor americano. Noivo de uma brasileira e com planos de passar mais tempo no país, ele publicou, no dia 11 de fevereiro, em sua página pessoal, uma longa Carta Aberta ao Brasil (que pode ser lida no endereço markmanson.net/brazil_pt), na qual apontava o principal responsável pelos problemas recorrentes do país: o próprio brasileiro.
Leia mais:
“O problema é a cultura. São as crenças e a mentalidade que fazem parte da fundação do país e são responsáveis pela forma com que os brasileiros escolhem viver as suas vidas e construir uma sociedade. O problema é tudo aquilo que você e todo mundo a sua volta decidiu aceitar como parte de ‘ser brasileiro’ mesmo que isso não esteja certo.”, diz Manson em um dos trechos da postagem, que aponta também que os brasileiros são egoístas, vaidosos, bem pouco inclinados ao altruísmo pelo bem comum, embora leais aos amigos próximos.
As reações não tardaram. Muitas delas, como seria de se esperar, negativas. Já no primeiro dia intelectuais, pesquisadores e pessoas comuns manifestaram em suas redes sociais indignação pelo “texto do gringo”. Mas, e aqui está talvez o ponto que provoca reflexão, muitos o compartilharam com a aprovação e o entusiasmo de uma verdadeira declaração oficial das Nações Unidas. Para alguns, este é o verdadeiro mistério.
– É um texto fraco, que levanta até algumas questões interessantes, mas não se aprofunda. Para mim, a grande  questão é por que a classe média, de modo geral, se identificou tanto com esse texto e concordou com ele de modo tão apaixonado. O furor provocado por esse texto é, pra mim, o verdadeiro objeto de interesse desse artigo – diz Ronaldo Helal, professor de Comunicação e Cultura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Para além de qualquer consideração sobre a qualidade do texto de Manson, ou mesmo suas qualificações para realizar uma análise de um país estrangeiro, o que parece ter acontecido é que seu olhar de fora talvez tenha se conectado a um impulso que constitui parte do imaginário nacional e que vem à tona de tempos em tempos, principalmente em períodos de crise: a suspeita melancólica de que o país está fadado ao fracasso, não importa que mudanças ocorram na política, na economia e na sociedade.
Não é um tema novo. De tempos em tempos, uma pesquisa qualquer encomendada por instituto de pesquisa ou por algum veículo de comunicação devolve uma imagem incômoda (e em muitos casos distorcida) de seu país e de sua comunidade. Uma delas, realizada pela revista Superinteressante, em 1991, por exemplo, entrevistou 1,2 mil pessoas em seis grandes capitais para chegar à assombrosa conclusão de que um em cada dois desses entrevistados não via nada de bom no Brasil. Outra, realizada em 2000 pelo Instituto Datafolha, registrava que a primeira ideia associada ao Brasil por mais da metade dos consultados era negativas: crise, pobreza, má administração, violência e desemprego, entre outras. São essas as personagens que veem nas palavras de Manson uma confirmação de seu próprio pensamento sobre um país com crises periódicas e casos sucessivos de corrupção.
Outro ponto interessante a se refletir quando se pondera a reação despertada pela postagem de Manson está o próprio histórico brasileiro com a opinião estrangeira, mesmo quando ela de algum modo acerta, ainda que de modo superficial, em pontos válidos dos problemas nacionais. Embora muitos se sintam insultados, outros veem no olhar de um estrangeiro, qualquer estrangeiro, a legitimidade que faltava para concluir que o Brasil foi à breca. Um exemplo é o da frase “O Brasil não é um país sério”, citada há gerações como uma declaração derrisória proferida pelo presidente-herói francês Charles De Gaulle nos anos 1960. Há de querer dizer algo o fato de que De Gaulle nunca disse tal coisa, ele foi na verdade o destinatário da frase, formulada por um... brasileiro, o diplomata Carlos Alves de Souza Filho, embaixador do Brasil na França entre 1956 e 1964. O fato de que a diatribe passou ao anedotário nacional atribuída ao presidente estrangeiro é um indício dessa relação dúbia, de concordância e de revolta que muitos têm com gringos que emitem uma opinião sobre o Brasil.
Os tópicos levantados por Manson não são necessariamente novos. Alguns deles, ao contrário, estão no coração do pensamento social brasileiro. A lealdade à tribo antes que ao conceito imaterial de Estado já foi diagnosticada no muitas vezes mal compreendido “brasileiro cordial” identificado por Sérgio Buarque de Holanda em seu Raízes do Brasil. O “cordial” aqui não é o amistoso, acepção que se tornou comum para o termo, e sim aquele que é regido pelas forças “do coração” (“corda”, em latim): o resultado é o estabelecimento da família como núcleo primário da cidadania e da noção de disponibilidade do público para o interesse privado.
Roberto da Matta, por sua vez, já definiu o “jeitinho” e o “você sabe com quem está falando?” comuns na sociedade brasileira  como “como duas pernas de uma mesma ficção jurídica”, a saber, a de que a lei é justa, alcança a todos e todos a cumprem. O “jeitinho” nasce com o exemplo de cima: ao notar que o aristocrata não está sujeito ao mesmo rigor, o “do andar de baixo” desenvolve artifícios para ter, por baixo dos panos, a mesma relação com a lei geral, ou seja, escapar dela quando for possível.
Em seu recente best-seller A Cabeça do Brasileiro (Record, 2007), o sociólogo Alberto Carlos Almeida testa essas formulações em uma pesquisa ampla e chega a uma radiografia do modo de pensar nacional, apontando a educação como o grande divisor entre “dois Brasis”. Na contramão do discurso que culpa exclusivamente a elite, Almeida conclui que a ampla fatia de 57% de brasileiros que cursou só até o ensino fundamental tem um perfil bem delineado: é um personagem que apoia o jeitinho, valoriza a hierarquia e o patrimônio, é desconfiado, contrário ao liberalismo no comportamento, a favor da censura e tolerante com a corrupção.  Se é assim, o que pode ter provocado tal identificação, como se o texto apontasse algo novo, ou tal indignação, como se o texto estivesse errado do início ao fim? Talvez a superficialidade de era da internet.
– O brasileiro tem a mania de falar que todo mundo é corrupto, menos quem fala. O texto dele toca em uns pontos interessantes, mas não se aprofunda, e as pessoas aceitam como revelação – comenta Ronaldo Helal.


sábado, 20 de fevereiro de 2016

Degravação da entrevista de Elvino Bohn Gass, Rádio Gaúcha. Ele fala sobre o apoio dos deputados do PT na reunião com Lula.

DEGRAVAÇÃO ELVINO BOHN GASS – RÁDIO GAÚCHA - 17/02/2016

P: - Os deputados federais gaúchos do PT vão fazer um ato de apoio ao ex-presidente Lula, é isso?
R: - Estamos em São Paulo, onde haveria um depoimento dele, que foi suspenso exatamente por decisão de um juiz do Conselho Nacional do Ministério Público que atendeu a ação impetrada pelo deputado Paulo Teixeira porque o promotor fez um pré-julgamento. Ele não fez o rito, as formalidades do Estado Democrático de Direito. Porque no Brasil, hoje... Há, aqui, uma multidão de pessoas... O Brasil está acompanhando... Há um ato aqui, nós também vamos passar rapidamente... As pessoas perceberam o que está acontecendo no Brasil... Se elegeu um culpado. Olha o absurdo que é a democracia brasileira, o que é o fascismo, o que é o ódio, o que é rasgar a Constituição... Há alguns membros do Ministério Público que fazem uma escolha de quem tem que ser condenado. Agora, se escolheu o Lula. Mas não tem crime contra o Lula! Mas o Lula já está pré-condenado. Agora, estão procurando o crime. Tem denúncias, informações... Não acharam e não vão achar.

P: - Mas o senhor não acha que o Lula tem que ser investigado também?
R: - Todos aqueles que têm uma função pública, se houver uma denúncia, têm que ser investigados. Outro dia, um dos delatores disse, sobre o tema Furnas, que um terço pra esse lado, outro terço foi pra aquele e outro terço foi pro Aécio Neves. Outro delator disse, sobre a corrupção, que é uma coisa ruim, nojenta, mesmo, a corrupção: sempre existiu e nunca se combateu. E o Brasil está vivendo um momento importantíssimo: nós estamos combatendo a corrupção. Ah, mas é contra esse partido, é contra aquele partido... Não interessa. Mas, por que não se investiga o Aécio Neves? Eu não estou condenando o Aécio Neves, eu acho errado fazer uma pré-julgação como se está fazendo com o presidente Lula. O que nós queremos é que as apurações andem, mas dentro das regras.

P: - Repetindo a pergunta: o senhor não acha que, em havendo suspeitas sérias, o Lula precisa ser investigado?
R: - O Lula precisa ser investigado como qualquer cidadão, mas dentro das regras. Tem vazamento toda hora, antes dos advogados lerem a ação. Você acha isso razoável, que uma revista tenha acesso às informações antes dos advogados?

P: - Pois é, mas o senhor acabou de citar um vazamento a respeito do Aécio...
R: - Não, não, é exatamente isso que eu estou falando. Nós estamos, no Brasil, o que é a democracia no Brasil, por que as pessoas têm um ódio contra o Lula e esse ódio não está contra outros governantes? Porque há um preconceito com quem tem ascensão social no país. Faxineira não podia estudar. Pobre não podia comprar carro, não podia possuir casa, não podia se alimentar direito. E o Lula passou a ser uma das lideranças mais importantes do mundo, passou para a história como um dos melhores presidentes do Brasil e tem, nitidamente, uma eleição à vista em 2018.

P: - O senhor não está respondendo à pergunta. O Aécio está sendo investigado e existe uma série de denúncias contra o Lula...
R: - Eu já te respondi à pergunta... O Aécio não está sendo investigado. Não está sendo levado adiante nenhuma ação contra ele. Nós temos uma escolha de quem vai ter a culpabilidade pré-julgada sem um fato concreto.

P: - O presidente tem os holofotes e os microfones. Por que ele não vem a público e esclarece item por item e se defende, ao invés de ficar acusando os outros?
R: - Você já sabe das explicações ponto a ponto, sobre a cobertura tríplex, tudo está explicado. O Lula falou e explicou o problema.

P: - Mas por que ele não explicou o que ele foi fazer lá com o Leo Pinheiro, presidente da OAS?
R: - Eu vou te dizer, em Porto Alegre, se alguém compra um apartamento na planta ou se vai construir uma casa, é legítimo que a família vá lá olhar como é que vai ficar o apartamento...

P: - Mas deputado, ele foi lá olhar, com o presidente da OAS, a reforma...
R: - O que nós temos neste momento. Há um grande duplex da família Marinho, da Rede Globo, que se está dizendo que está em uma área de preservação ambiental... Nós vamos encaminhar para que isso também seja investigado... Porque o que nós queremos é que o que foi levantado contra o Lula seja investigado. Ninguém está dizendo nada contra isso. Mas nós queremos que o duplex da família Marinho também seja investigado...

P: - Deputado, o Marinho não conseguiu nenhum voto. Ele tem que ser investigado como pessoa física...
R: - O Brasil tem um grande problema de sonegação. Tem que investigar todas as empresas que sonegam e cobram do povo... Se hoje nós conseguimos muito pro povo passar a ter dignidade, passar a ter casa... Quanto, ainda, podemos fazer...

P: - Sim, mas o voto faz diferença. O presidente Lula, a Dilma, o senhor, o Aécio, todos esses foram eleitos. Quando se comete um crime de sonegação, um assassinato, isso não contou com o voto da população. Essa é a grande diferença. O senhor não acha que uma pessoa como o Lula, que talvez seja tão importante quanto o Fernando Henrique, deve mais explicações?
R: - Veja bem, se o empresário compra algo com os nossos impostos – e, aliás, sobre aumento de impostos, que tragédia está acontecendo no RS, com a segurança pública... Agora, se o empresário cobra do povo o imposto e não repassa para o governo, para a criança, para a segurança, para se evitar um assassinato ou um roubo...

P: - A gente concorda com isso, deputado...
R: - Então, nós temos um acordo. Todos devem ser investigados. O que nós precisamos aí é que quando a gente investiga, a gente não pode pré-julgá-lo, culpa-lo, condená-lo sem nenhuma prova e quem fez tudo isso, quem divulgou, nada lhe acontece.

P: - Mas deputado, o senhor está fazendo a mesma coisa com relação ao duplex do Marinho. Não lhe parece mais correto justificar o que está sendo apontado do que apontar o dedo para o outro?
R: - Mas é exatamente isso que está sendo feito contra nós.

P: - E aí os senhores repetem...
R: - Não, não, esta injustiça nós estamos sofrendo hoje. O Lula, que tirou pessoas da miséria, que ajudou o Brasil... Outro dia, um padre me disse: eu não lembro mais quando eu enterrei uma criança que morreu de fome. Porque no tempo do FHC, eu enterrava as crianças que morriam de fome. Olha a tristeza. O que hoje se está fazendo com o Lula nós achamos errado, apontar o dedo e pré-julgá-lo.

P: - O que o senhor fez com o Aécio e o Marinho não é apontar o dedo?
R: - Não, o que eu disse é que, assim como tem que ter a investigação contra o Lula e a divulgação tem que ser paritária, assim deveria ser o tratamento contra o Aécio, contra as empresas que sonegam...

P: - O senhor está só andando em círculos. Vamos avançar: o que o Lula disse para vocês?
R: - Quando uma pessoa é injustiçada, quando é apontado o dedo como fez o Serra, injustamente, quando alguém é apontado para ser criminoso, mas não tem crime, como uma pessoa não vai estar indignada...

P: - Mas o que que ele disse? O que ele vai fazer?
R: - O que ele disse foi o que todos nós estamos dizendo há muito tempo. O que ele disse é que todos os procedimentos... Aliás, não foi ele que disse, somos nós que estamos dizendo. Nós viemos dar um abraço no Lula. Aliás, é um abraço no Lula...

P: - Deputado, o senhor não está nos dizendo o que ele disse, o senhor está nos enrolando...

R: - Nós viemos pra São Paulo pra dizer: Lula, há um setor no Brasil que não pode ver um pobre viver melhor que estão te apontando o dedo na cara, que estão te condenando. Lula, nós estamos solidários contigo. O que que diz o Lula: agradece a nossa solidariedade. Ele e nós dissemos a mesma coisa. Nós queremos que a justiça apure de forma não seletiva todas as investigações que têm que ser feitas. Se nós tiramos o Brasil da miséria e se nós constituímos que as instituições – e isso o Lula preza muito – do Ministério Público, a Polícia Federal poder investigar... Porque vocês sabem como era o nome do procurador-geral da República? Engavetador. Vocês sabem que o único brasileiro que tem um busto nos Estados Unidos é o Lula? Porque o Lula é uma grande figura. E essa figura é que tentam destruir. Nós trouxemos nosso abraço ao Lula e ele disse que nós temos que continuar ajudando o povo do Brasil. Pra que não voltemos àquele tempo em que se pegava o dinheiro das privatizações pra pagar político pra não investigar ou quando, como tem a Operação Zelotes, que o procurador sentava em cima pra não se investigar. O meu sentimento é o seguinte: jogaram o dedo no Lula, acusaram falsamente, condenaram ele, e o povo achou, uma mentira dita 99 vezes parece uma verdade, não é, ela só parece. As pessoas estão começando a ver que tem muita falsidade contra o Lula e estão começando a ser mais solidárias com o Lula. Por isso, a frase é a seguinte: mexeu com o Lula, mexeu comigo. E as pessoas se sentem indignadas quando apontam o dedo para acusar injustamente o Lula.

Mensagens provam que OAS bancou reformas no triplex e no sítio de Lula

Nesta reportagem de Rodrigo Rangel, fica claro que os verdadeiros donos do triplex do Guarujá e do sitio de Atibaia são Lula e Marisa. O editor postou material ontem a noite sobre a capa da revista Veja de hoje, replicando conversas do dono da OAS, Leo Pinheiro, delator no Lava Jato. Nas conversas, ele trata Lula como "chefe" e Marisa como "madame". Tudo é muito claro. E vem mais pela frente. 

O material é de Veja. Leia a reportagem:

Eem fevereiro de 2014, as obras do Edifício Solaris, no Guarujá, tinham acabado de ser concluídas. A OAS era a empreiteira responsável. O apartamento 164-A, embora novo em folha, já passava por uma reforma. Ganharia acabamento requintado, equipamentos de lazer, mobília especialmente sob encomenda e um elevador privativo. Pouca gente sabia que o futuro ocupante da cobertura tríplex de frente para o mar seria o ex-presidente Lula. Era tudo feito com absoluta discrição. Lula, a esposa, Marisa Letícia, e os filhos visitavam as obras, sugeriam modificações e faziam planos de passar o réveillon contemplando uma das vistas mais belas do litoral paulista. A OAS cuidava do resto. Em fevereiro de 2014, a reforma do sítio em Atibaia onde Lula e Marisa descansavam nos fins de semana já estava concluída. O lugar ganhou lago, campo de futebol, tanque de pesca, pedalinhos, mobília nova. Como no tríplex, faltavam apenas os armários da cozinha.

Os planos da família, porém, sofreram uma mudança radical a partir de março daquele ano, quando a Operação Lava-Jato revelou que um grupo de empreiteiras, entre elas a OAS, se juntou a um grupo de políticos do governo, entre eles Lula, para patrocinar o maior escândalo de corrupção da história do país. As ligações e as relações financeiras entre Lula e a OAS precisavam ser apagadas. Como explicar que, de uma hora para outra, o tríplex visitado pela família e decorado pela família não pertencia mais à família? Teria havido apenas uma opção de compra. O mesmo valia para o sítio de Atibaia - reformado ao gosto de Lula, decorado seguindo orientações da ex-primeira-dama e frequentado pela família desde que deixou o Planalto. Em 2014, os Lula da Silva passaram metade de todos os fins de semana do ano no sítio de Atibaia.


Por que Lula e Marisa deram as diretrizes para as reformas no tríplex do Guarujá e no sítio de Atibaia se não são seus donos? Por que a OAS, que tem seu presidente e outros executivos condenados por crimes na Operação Lava-Jato, gastou milhões com Lula? O Ministério Público acredita que está chegando perto das respostas a essas perguntas - a que o próprio Lula se recusou a responder, evadindo-se do depoimento que deveria prestar sobre o assunto na semana passada. Para o MP, Lula se valeu da construtora e de amigos para ocultar patrimônio. Os investigadores da Lava-Jato encontraram evidências concretas disso. Mensagens descobertas no aparelho celular do empreiteiro da OAS Léo Pinheiro, um dos condenados no escândalo de corrupção da Petrobras, detalham como a empresa fez as reformas e mobiliou os imóveis do Guarujá e de Atibaia, seguindo as diretrizes do "chefe" e da "madame" - Lula e Marisa Letícia, segundo os policiais.

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Governo Dilma faz proposta concreta para melhorar as dívidas dos Estados com a União

O Ministério da Fazenda sugeriu ontem aos governadores, inclusive ao governador Ivo Sartori, RS, um alongamento da dívida em 20 anos, elevando o prazo de pagamento de 30 para 50 anos. Além do aumento de prazo, a Fazenda está avaliando, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a renegociação de operações de crédito contratadas até 31 de dezembro do ano passado, o que deve acrescentar até 10 anos aos prazos originais. A Fazenda aumentou ainda o limite de operações de crédito de R$ 12 bilhões para R$ 17 bilhões em operações com garantias da União e mais R$ 3 bilhões em operações sem garantia, gerando um total de crédito de R$ 20 bilhões. Nos ano passado, o limite foi de R$ 7,1 bilhões. Há ainda uma cláusula a favor dos Estados que não atenderem aos critérios. Caso o Estado comprove que precisa dos recursos e que tem um plano robusto de recuperação fiscal, o Tesouro Nacional pode avaliar o pedido.

Há também a possibilidade de a União aceitar ativos pertencentes aos Estados, como empresas públicas e participações acionárias, para futuras alienações. O resultado obtido com a alienação dos ativos será aplicado como redutor nas prestações mensais ao longo dos cinco anos subsequentes à venda.

No caso do RS, o governo federal há muito tempo tem interesse no controle do Banrisul. O BB já fez ofertas concretas para comprá-lo.

Os Estados que solicitarem operações de crédito com garantia da União precisarão apresentar boa situação fiscal, ter as operações previstas no Programa de Ajuste Fiscal ou em tramitação na Secretaria do Tesouro e atender aos limites da legislação. Os Estados precisarão ainda apoiar matérias de interesse da União como a reforma do ICMS, a CPMF e a Desvinculação de Receitas da União (DRU) estendida a Estados e municípios.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, gostou da proposta apresentada pelo ministério e disse que o Estado irá renegociar R$ 46,5 bilhões. "O alongamento da dívida é necessário", disse ao deixar o prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília.

Dívida

O alongamento da dívida é uma proposta inicial da Fazenda que ainda está sendo aperfeiçoada e será enviada ao Congresso junto com as medidas fiscais anunciadas nesta sexta-feira pelo ministro da Fazenda. Em contrapartida, os Estados precisarão comprovar sua robustez fiscal.

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